
Nesses mil anos creio que você não me conhece tão bem quanto acha. Digo isso numa postura realista, porque nesses mil anos de convivência você ainda nem sonha com as coisas que me rodeiam.
Creio que saiba minha mania estranha de acordar no meio da noite para observar as pessoas dormindo, acredito até que saiba que acho lindo quando as pessoas dormem. Só que isso é só o começo, meu caro, você não sabe que além de acordar no meio da noite eu olho as estrelas e se elas não estiverem lá, eu as imagino.
Talvez você saiba que adoro comer vegetais, que aliás adoro comer todas as coisas. Mas, você não deve ter reparado que raramente como salada com prato quente porque não gosto de misturar quente com frio. Você também deve ter reparado que adoro falar, mas que escuto com uma facilidade que ás vezes é assustadora. De vez em quando consigo me calar e escutar o dia todo sem dar uma piscadela ou soltar uma piada pronta. Ás vezes eu consigo sabe, mas você possivelmente não saiba.
Forçando mais, acho que você lembra que costumo escrever. Aliás, já deve ter dado boas bisbilhotadas nas minhas mil páginas na internet sem nunca ter sabido que a maioria dos textos eram sobre mim. Mas, hoje em dia, acho que você nem deve lembrar disso e se um dia ler um dos meus textos sobre comportamento ou amor talvez desconfie que tenha algo a ver conosco.
Se observou muito já deve ter notado minha necessidade de ser carinhosa ou minha pinta na mão. Mas, somente se observou muito. Aliás, você nunca me perguntou nem da pinta, nem do carinho e nem de mim. Talvez a gente devesse se conhecer melhor...
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